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Sexta-feira, 23 de Março de 2007

Justiça Jornalística

Retirado de http://dn.sapo.pt/2007/03/23/opiniao/o_que_perdeu_gracas_povo.html; por Fernanda Câncio


Foi na Primavera de 2006 que soube da história de E., criança disputada na Justiça entre o casal que a queria adoptar e o pai biológico que a queria "reaver".

Na altura, as simpatias estavam ao contrário. Baltazar Nunes era o "bom", o pai "verdadeiro", certificado por tribunal. Dava entrevistas, tinha até ido ao programa de Fátima Lopes, erguido comoções e indignações. Do casal que detinha a criança, nada. Nem a cara, nem discurso, nem entrevistas, nem justificações. Um silêncio absoluto, pouco favorável a conquistar simpatias.

À época, falei com Baltazar. Afável e falador, não se furtou a nenhuma pergunta. Admitiu que não tinha querido saber da mãe da criança durante a gravidez nem da criança no primeiro ano de vida, porque não acreditava que "era dele". O facto de ter tido relações sexuais não protegidas com a mulher em causa não lhe parecia motivo suficiente para pôr a hipótese de ser pai. Precisava de provas mais rigorosas. Na dúvida, desinteressou-se da criança. A primeira vez que a viu, explicou-me, foi no Instituto de Medicina Legal de Coimbra, em Outubro de 2002, aquando da recolha de sangue para os testes de ADN, e nem terá olhado bem para ela, muito menos tentado pegar-lhe. "Estava-me a guardar", explicou. Quando, no início de 2003, soube o resultado dos testes, assumiu a paternidade. Meses depois, pediu a tutela da criança. Disse-me que desde essa altura tentara vê-la, entrar em contacto com o casal que a tinha em seu poder, sem sucesso. De pai desinteressado, Baltazar passara a pai desesperado. Não é, como se sabe, uma mutação inédita, em coisas do coração.

Nessa altura, nada publiquei. Faltava o resto da história, o resto que veio depois, em Dezembro, quando o sargento Gomes foi preso e julgado. E porque as coisas do coração são assim, dadas as extraordinárias mutações, o carpinteiro da Sertã, que até ali fora o injustiçado, passou a vilão. Face ao sargento fardado que enfrentava seis anos de prisão "por amor", Baltazar era o estroina, o obstáculo à felicidade da família heróica. No reality show que a história de E. se tornou, Baltazar já foi expulso. Mas, seja qual for a decisão final dos tribunais, há coisas que não podem ser reescritas. Baltazar é o pai biológico de E. E, nesta história, com jeito, ainda se vai a tempo de um final (quase) feliz.


Este artigo demonstra o que pode fazer o marketing jornalístico.

Apenas tive conhecimento desta história quando já o sargento era o herói e Baltazar o crápula. Mas sempre achei que algo não batia certo. Afinal, o herói (ainda por cima sargento) tinha desobedecido a uma ordem expressa de um tribunal. Não será isto motivo mais do que suficiente para alem da prisão, ser também expulso das Forças Armadas?

Do pai da  menina não ouvia nada. Depois lá fui percebendo quem era a mãe e como a “coisa” se tinha passado.
Que dedo se pode apontar a este homem? Uma mulher que admite que já se prostituiu diz que está grávida dele, e isso é prova suficiente? A história diz que quando ele teve certeza da sua paternidade, entrou numa batalha para receber a menina!

Quem é o “mau” aqui? Um homem sem recursos que (obviamente) não acreditou na palavra de uma pseudo-prostituta, ou uma família “normal” que comprou uma criança?

O sargento deve estar preso por desobediencia ao tribunal; a sua mulher deve ser presa por rapto; a mãe deve ser presa por tráfico de crianças; e a menina, depois da necessária adaptação e acompanhamento, deve ser entregue ao SEU Pai!

SECÇÕES:
Publicado por jpgn às 18:14
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6 comentários:
De ana rita santos a 15 de Maio de 2007 às 00:13
baltazar nunes e o maior pai .tem tentado ha varios anos estar com a sua filha mas so agora pode conhece-la,tem sido os melhores momentos como pai.


De MS a 15 de Abril de 2007 às 17:27
dado que a criança ja´tem 5 anos e que o caso não é linear(os pais afectivos acolheram-na porque ela foi rejeitada pelo pai biológico), deve ter-se em conta o que for melhor para a menina.
E o melhor para a menina é ficar com o casal que a criou


De jpgn a 16 de Abril de 2007 às 22:29
O caso não é mesmo linear e a informação que nos chega está, concerteza, deturpada pelos média que em Portugal são tudo menos isentos.
Já ouvi a versão de que o pai, quando teve confirmação da sua paternidade, não se poupou a esforços para recuperar a filha.

Concordo que o mais importante é ter em conta a menina, mas sem se entrar numa espécie de uso capião.
E cuidado com os precedentes que se abrem com esse argumento. É que, com base nele, eu posso raptar uma criança de poucos meses e se só me apanharem ao fim de 5 anos, eu fico com ela!


De Pedro Tomás a 26 de Março de 2007 às 16:58
Caro João parabens pelo teu Blog!


De jpgn a 26 de Março de 2007 às 18:15
Bem-vindo e Obrigado, Pedro!


De scalabis a 26 de Março de 2007 às 14:05
Acho que o que importa reter, é o facto de os pais "afectivos" não estarem nesta situação como se fossem os paladinos do amor e do afecto. Já alguém se interrogou se esta não foi uma maneira de "obter"(comprar é muito forte) o que a natureza não lhes proporcionou?
Alguém questionou o facto de num Tribunal civil o sargento aparecer fardado, como se um homem fardado fosse mais digno que um carpinteiro de gravata?
De todo o modo, concordo, em parte, consigo.


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