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Quarta-feira, 6 de Junho de 2007

Extremismo

A respeito de uma troca de e-mails entre amigos, onde de um lado se viam famílias Norte-Americanas passando uma bela tarde de fim de semana num campo de tiro, divertindo-se com os seus filhos, alguns de colo (http://videos.sapo.pt/kE1JjVoke85Ecs967O2q); e do outro um espancamento até à morte de uma mulher que desonrou a familia, lá para o lados das Arábias (http://www.aina.org/news/20070425181603.htm), o meu ex-colega Rogério fez a seguinte dissertação que achei muito interessante, e com a devida autorização transcrevo:
"(...)
A constituição americana diz que o
povo americano tem o direito de andar
armado. Note-se: na cabeça deles é
um direito que assiste a todos os
cidadãos americanos.
 
A lógica por detrás disto é que quem
"fundou os Estados Unidos" (os pais
fundadores) acharam que isso era um
elemento necessário à segurança de
um estado livre. Pensaram isso há
mais de 200 anos e ainda está lá.
 
As coisas postas assim está o caldo
todo entornado. Mesmo para quem não
concorde, se vive lá é melhor andar
armado, porque os outros andam.
 
Já se está a ver onde isto vai parar...
... é que se toda a gente pode andar
armada então é melhor que saibam
manejar armas convenientemente.
 
Ensinar miúdos e jovens a disparar
é de certeza melhor que esperar que
descubram a arma do pai dentro do
autoclismo e as balas no forro do sofá.
 
A experiência nesse país mostra que
os putos acabam, muitas vezes, por
encontrar ambas as coisas. Já muito
miúdo furou a cabeça ou outra coisa
qualquer... e é uma lição que é melhor
aprender de uma forma que não a
tentativa e erro.
 
Fizeram-se vários testes que dão para
ver que miúdos pequenos aprendem
a disparar (ou já sabem ou já viram como
se faz) muito antes de terem a capacidade
de perceber o significado disso e os
estragos que podem fazer.
 
De resto não estou a ver porque é que
o título do mail é "extremismo". O vídeo
não me parece muito diferente de outros
jogos de guerra, como o paintball. Mas
confessem lá: deve dar um gozo mesmo
descumunal disparar uma besta daquelas
e desfazer uma porcaria qualquer a 100
ou 200 metros de distância!!
 
E depois vai o senhor PC e
dá uma guinada na conversa... vídeos
de uma miúda escangalhada porque
não-sei-o-quê e queria fugir com o
namorado ou lá o que era... não li o texto
e o vídeo não se percebe quase nada.
 
A nossa constituição diz que todas as
pessoas nascem livres. É um pressuposto,
consideramos esse direito, assim como os
americanos acham que as pessoas têm o
direito de andar armadas.
 
A nossa constituição não considera que
tenhamos o direito de andar armados, mas
deixa qualquer mulher (solteira) casar com
qualquer homem (solteiro). São opções.
Mas não deixa uma mulher casar com outra,
por exemplo, não lhe concede esse direito.
Acredito que não a matasse por isso, e
isso já é muito bom, mas mais uma vez
são opções.
 
A nossa constituição aceita que matemos
alguém em certas condições, como autodefesa,
ou perigo iminente. Note-se que matar alguém
quando o perigo está iminente (porque está a
ameaçar explodir-se num comboio, por exemplo)
pode significar que se mata o fulano antes de
ele cometer o crime. Em muitas situações é
reconhecido esse direito "ao matador do mau"
mesmo quando o mau ainda só é apenas
ameaçador.
 
Não sei que países Árabes têm constituições
de direitos dos cidadãos, mas se calhar nem
todos têm. E não falemos só de países Árabes,
falemos de países em geral, como Cuba. Será
que Cuba reconhece a qualquer cubano o
direito de matar um americano? Os cubanos
só não gostam dos americanos, com os
canadianos e franceses e o resto da malta
está tudo bem.
 
Nem sei se há países não-Árabes que não
tenham constituição. Ou que tenham uma
que diga em primeiro lugar "qualquer servo
de Alá (ou outro) tem o direito de aniquilar
alguém que não cumpra os mandamentos
do Deus todo-poderoso". Adultério é obra
do demónio, punível com a morte. Em muitas
religiões muita coisa é punível com a morte.
 
Desonrar os pais também é pecado em
muitas religiões (não casar com quem os
pais escolheram pode considerar-se
desonrá-los, e as religiões não dão muita
liberdade aos noivos, nem mesmo o
cristianismo).
 
Alguns estados americanos acreditam ainda
na pena de morte. Alguém, friamente, mata
outro com uma injecção ou fritando-o. Não sei
qual será mais bárbaro, se uma multidão a
fervilhar com os princípios da fé que mata alguém
que (presumivelmente) pecou ou matar outro
só para não pagar a despesa de o ter trancado
num canto qualquer para o resto da vida.
 
Mesmo os "muito maus sem cura nenhuma"
podem ser arquivados em vez de assassinados.
Eu digo que podem, mas não sei se devem. Eles
acham que devem ser assassinados. Opções.
Alguns Árabes devem achar que a miúda
merecia ser assassinada, mas não devem
ter injecções nem salas de fritura. A comparação
não é linear se tirarmos a religião da equação, se
a deixarmos lá então o caso pia mais fino e não
sei quem conseguirá provar que estão errados.
 
Verdade que não sei o que diz a
constituição
de um qualquer país Árabe, mas sabemos que
está enraizada nos princípios que defendem ou
então não existem. Podiamos todos unir-nos e
acabar com eles. Os americanos acham que é
isso que se deve fazer, e imagens do linchamento
da miúda ajudam a que eles pensem isso. E
depois há a velha conversa: se eu quisesse virar
os americanos contra os Árabes arranjava 100
figurantes e fazia um filme cheio de molho de
tomate com imagens muita más para parecerem
amadoras. Mas isso era se fosse eu.
 
Os Árabes (e as testemunhas de Jeová) acham
que não há mal em matar servos do demónio, e
não sou eu que lhes vou dizer que estão errados
(se eu disser que sim matam-me depressa,
e se tiverem razão então depressa vou para
o inferno... prefiro adiar!!). Não estou a brincar,
nem vos digo o que pensam os Jeovás de quem
não siga a doutrina... e isso num país ocidental!
 
Em Portugal fazemos o mesmo, mas por
razões "mais sérias". Também há linchamentos
porque o árbitro não sei das quantas mostrou
um vermelho ou não marcou um penalty, ou
um sportinguista chamou cabrão a um
benfiquista.
 
Quando esses momentos irrompem há um
grande conjunto de gente "ocidental e
civilizada" que acha correcto (no calor do
momento) matar o fdp à porrada até ele se
esvair em sangue e os miolos estarem
espalhados no asfalto!! São formas de
linchamento também, e de vez em quando
há mortos. Não é por adultério mas é por
impropério. E muitas vezes são míudos
também.
 
O problema do extremismo é esse. Claro que
não acho bem a rapariga levar porrada porque
andou lá com o outro (ou não andou, não vi
bem os pormenores). Eu gosto da vidinha
que levo e gosto que não me linchem só
porque tenho pensamentos impuros com a
minha vizinha da frente (que até lhe pisco o
olho de vez em quando).
 
Mas no final não sei se vou ou não para o
inferno por causa disso, por isso não estou
em condições de ir para um país estranho
dizer-lhes como é que se faz para ir para o
céu. Nem para lhes dizer que não há céu.
Nem para lhes dizer que Jesus é o maior e
Alá é um palerma (quando esta discussão
acender alguém acaba por ficar com os
miolos espalhados no asfalto, e o árbitro
morre novo).
 
Também diga-se em abono da verdade, se
não há céu então não faz puto diferença
matar mais uma formiguinha humana,
muitas por aí. E nada tem consequências
e por isso posso pôr uns fones e ir ouvir
música descansado.
(...)"

Rogério

SECÇÕES:
Publicado por jpgn às 10:45
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2 comentários:
De ANTONIO a 6 de Março de 2008 às 18:18
PERMITA QUE LHE DIGA QUE AS TESTEMUNHAS DE JEOVÁ NÃO CONCORDAM COM A MORTE DE NINGUÉM, SE ELAS REGEM A SUA VIDA PELA BIBLIA TENHO QUE LHE DIZER QUE CONFIRME VOÇÊ PRIMEIRO AQUILO QUE ESCREVE POIS PODE ESTAR A INCORRER, SEM SABER, NUMA MENTIRA.
NÃO O CONDENO APENAS O ALERTO E EM RELAÇÃO AO ASSUNTO QUE EXPÔS APENAS LHE DIGO QUE JEOVÁ, ATRAVÉS DA BIBLIA NOS ADVERTIU A TODOS QUE TERIAM DE SUCEDER ESTAS COISAS E QUE MUITOS NÃO IRIAM COMPREENDER E IRIÃO CONDENAR A DEUS(JEOVÁ). SE TODOS OS POVOS SEGUISSEM A BIBLIA NÃO FARIÃO OS ATENTADOS E ACTOS VIOLENTOS QUE FAZEM, DEUS NÃO OS INCENTIVOU A ISSO, MAS NO NOME DELE AGORA MATAM.


De jpgn a 7 de Março de 2008 às 21:40
Caro António. Antes de mais, deixe-me agradecer a sua visita neste blog que, por motivos profissionais tem andado tão moribundo.

Como é indicado, não sou eu o autor do texto. E ele, o autor, é oriundo de uma familia Jeová. Portanto acredito que saiba o que diz.

De qualquer forma, isto são pontos de vista. O que o texto diz é mais ou menos que cada Povo tem a sua cultura e quem tem telhados de vidro não deve atirar pedras aos outros. É uma visão aberta sobre conflitos culturais.

Não me leve a mal mas, Visão aberta é coisa que o António não tem!
"SE TODOS OS POVOS SEGUISSEM A BIBLIA NÃO FARIÃO OS ATENTADOS E ACTOS VIOLENTOS QUE FAZEM, DEUS NÃO OS INCENTIVOU A ISSO, MAS NO NOME DELE AGORA MATAM"

Agora matam?!?! Agora?!?!? Sempre se matou em nome de Deus!
Já com certeza ouviu falar nas Cruzadas!?
Com certeza sabe das atrocidades que se cometeram para "espalhar" o Cristianismo, para impôr esta doutrina a Povos a que ela nada dizia!
Da inquisição!?

Eu sou Cristão, mas eu não atiro pedras. Tenho uma herança demasiado pesada!


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